sábado, 7 de março de 2015

Cinema: Haneke, o som e a vítima

Há formas distintas de mostrar a violência no cinema. A ação batida, com a banalização da morte e dos agressores, é a mais simples delas. Outros meios são mais complexos e fundamentais para a discussão sobre o tema. Com forte influência de Bergman e T.S. Eliot, o alemão Michael Haneke se destaca pelo uso do som em seus filmes.

 A imagem e a sequência de cenas ficam em segundo plano. Talvez a diferença para os blockbusters explique, por exemplo, a inquietação causada por "A Professora de Piano", de 2001, que se tornou cult no Brasil na última década. As agressões que fazem parte do jogo masoquista entre a personagem principal e o aluno não são explícitas. A trama bem costurada, os ruídos, a tensão e os gritos aguçam os sentidos do espectador. Há envolvimento, drama e muitas vezes repulsa. Não foram poucas as pessoas que abandonaram as salas de cinema antes do fim.

Outro filme polêmico do diretor foi "Violência Gratuita", de 2008. Haneke disse que a ideia do roteiro foi tirada das páginas dos jornais, de entrevistas insensíveis de criminosos. O alemão tenta passar a agonia da vítima, o desespero de quem se torna protagonista de uma cena real de desespero. O diretor lembra ainda que o segredo é justamente a busca pelo não convencional. Normalmente, a violência vai às telas do ponto de vista de quem a pratica. A vítima, segundo Haneke, torna o filme mais próximo da realidade, o que aumenta o tom da crítica e convida quem assiste à reflexão.

Haneke ganhou a Palma em Cannes, o Globo de Ouro e o Oscar com "Amor", recebeu prêmios por outros trabalhos, inclusive os títulos deste post, mas talvez o maior reconhecimento foi saber que seus filmes estão na cinemateca de Bergman, com muitas estrelas e a aprovação do mestre sueco. Um feito para poucos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vou assistir todos de Haneke. Obrigada pela dica hahaha

Roberta.