domingo, 5 de abril de 2015

Na vitrola: Chet Baker e as boas notas do jazz

O gosto musical é mutante, oscila com as estações. Quando jovem, gostei até de rock mais pesado, pulsante. Mas o tempo passa, amigo, e a tendência é diminuir o ritmo, aos poucos. Comigo não foi diferente. Atualmente, aos 37, tenho ouvido bossa nova e jazz com mais frequência. Vale até uma confissão: Chet Baker fez acampamento na minha vitrola.

Tento explicar: Chesney Henry Baker Jr. (1929-1989) foi um trompetista de primeira linha, inovador, e um cantor de estilo diferente, cool, com autoridade para influenciar novas gerações de músicos. Entre eles, até um baiano ousado chamado João Gilberto. Pegou a ligação íntima com a bossa? Pois bem.

Chet Baker é um dos gigantes do jazz
O primeiro grande sucesso de Chet foi "My Funny Valentine", em 1952, e o jeito de cantar, com pausas que parecem ter sido ditadas por Tchecov, impressiona. E impressiona, destaco, em tempos de cantores clássicos, acostumados a soltar a voz, como Frank Sinatra, Dean Martin e Tony Bennett. João fez algo parecido na década de 50 no Brasil. Por isso a comparação inevitável entre eles.

Chet era um virtuose, um trompetista capaz de dar nuances às melodias do jazz com o mesmo impacto de Miles Davis e Dizzy Gillespie. Três gigantes do ritmo. Os discos do cara de Oklahoma são os mais indicados a quem pretende ser iniciado na boa música do Tio Sam. Uma canção, em especial, acerta a alma como a ponta de um aríete, destruindo as muralhas de melhor alicerce: "Almost Blue" é o nome dela.


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