domingo, 31 de maio de 2015

Permanência


As notas permanecem livres após o som se dissipar na melodia
As brumas ainda tocam o mar bravio lá depois da arrebentação
O trapézio segue voando sobre a plateia inerte depois da acrobacia
O movimento das asas ainda desenha o céu após a queda do falcão

O sorriso farto continua livre após as luzes se apagarem
É continua a linha tênue entre o que foi e os que se seguem
O tempo não é capaz de impor sua ordem aos que lembrarem
Mesmo que palavras tristes por alguns dias mudem e até ceguem

A lembrança tem consigo força insurgente contra os finais
Lança-lhes feitiços que tendem a redefinir a função dos pontos
Três deles atingem o futuro e reiniciam agora belas histórias fatais
Com uma página em branco tomada por possíveis velhos contos

Falcão que tem na essência o voo não faz reverência à montanha triste
Corre e abre as asas sobre as contidas memórias de quem na dor persiste
E parte sereno contra o vento fatal, em direção ignorada, com cheiro de mar
Faz acrobacias, molha as asas e desafia o sol sem culpa, pela infinita vocação de voar

(Victor Mélo)

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